domingo, 15 de setembro de 2013

REGISTRO DE PRÁTICAS NO BERÇÁRIO:

CORPOS QUE FALAM... OLHOS QUE DIZEM:
A IMPORTÂNCIA DA OBSERVAÇÃO E DO REGISTRO DAS
APRENDIZAGENS DOS BEBÊS
 
  Por Maria Mara Miranda Rodrigues
 
"[...] As observações precisam ser registradas para serem compartilhadas e analisadas. [...] Além do conhecimento das singularidades de todas as crianças, é pela observação que o professor pode construir projetos de trabalho com as crianças".
 (BARBOSA, 2010, p.10).
 
  
Quando trabalhamos com turmas de berçário, vivemos em constante corre-corre. A cada minuto somos desafiados a inovar, buscar soluções, encontrar respostas..., agir. Isso porque os bebês são curiosos, ativos, querem tudo ao mesmo tempo e, apesar de terem a fala pouco desenvolvida, conseguem se comunicar e expressar suas vontades por meio do corpo e do olhar, e dos mais variados sinais de comunicação que utilizam.
 
Acompanhar o ritmo desses pequenos não é tarefa fácil. Tenho aprendido que ,por mais embasamento teórico que possamos ter, nunca estaremos suficientemente preparados para driblar todos os desafios de uma turma de berçário. Contudo, é aliando a teoria com a prática que vamos conseguir entender ao menos um pouquinho desta faixa etária tão peculiar e intrigante. E chamo de intrigante com propriedade de quem é diariamente desafiada a inovar para conseguir alcançar os objetivos propostos.
 
Para Maria Carmem Silveira Barbosa (2010), "[...] cada bebê tem um ritmo pessoal, uma forma de ser e de comunicar" (p.2). Assim sendo, põe-se em relevo a necessidade de buscarmos mecanismos para entender este bebê, a forma como ele interage com o meio em que vive, com as pessoas que o cercam, os meios que utiliza para expressar suas vontades, angústias, desejos e inquietações.
 
Nesta linha de proposição, descobri que uma forma bem eficaz de conhecer o bebê e entender sua especificidade é através da observação e do registro. Por meio da observação, passamos a conhecer melhor o bebê, identificando os objetos e atividades que mais chamam sua atenção, os sinais que emite quando quer comunicar algo que deseja, os caminhos que segue para ter suas vontades atendidas, entre outras situações vivenciadas no cotidiano da Educação Infantil.
 
 
Assim, um instrumento que  utilizo para registrar o desenvolvimento dos bebês é o portfólio individual, onde escrevo um pouco sobre o que observei durante o dia. Costumo utilizar também os vídeos e fotos, por conseguirem traduzir o vivido no ambiente do berçário da forma mais real possível.
 
Nestes portfólios podemos escrever um pouco da história de vida do bebê, de sua família, seus hábitos na creche, a forma como ocorreu sua adaptação, entre tantos outros assuntos acerca do desenvolvimento do bebê. Também podemos contar com a participação dos pais, que podem ser coautores do referido registro, descrevendo as conquistas dos seus filhos, compartilhando com os professores as descobertas dos pequenos.
 
Para sistematizar melhor os registros, procurei observar as crianças em pequenos grupos, ou seja, a cada dia observo o desenvolvimento de três bebês e escrevo sobre eles. Encaminho as atividades do dia com o grande grupo, mas procuro focar meu olhar nos três escolhidos, me colocando mesmo em um papel de pesquisadora dos seus processos de aprendizagem. Isso tem me dado a chance de, não só conhecer melhor os bebês, como também encontrar novos caminhos para melhorar meu planejamento diário.
 
Assim, os registros nos portfólios são de grande valia e servem, como bem diz Tacyana Ramos (2012), para revisitar o vivido, guardar impressões, sintetizar as aprendizagens e registrar a prática desenvolvida na unidade educacional.
 
Para ela, muitas vezes até as palavras registradas nos portfólios não bastam para "(...) exprimir toda a nossa inquietação, encantamento e infinitude no anseio por uma educação, com qualidade, aos bebês" (RAMOS, 2012, p.31).
    
Observar os bebês e registrar suas aprendizagens tem me garantido, portanto, aperfeiçoar meu olhar e aprender com eles, pois ficamos mais sensíveis à beleza que eles exalam a cada descoberta, a cada surpresa, a cada encontro que vivenciamos.
 
Desta forma, faz-se necessário que o professor adquira uma postura de constante pesquisador, aprendendo a olhar, não aquele olhar que tudo vê, mas o olhar que tudo sente, que consegue ser sensível ao ponto de entender o que os olhos dos bebês dizem, o que seus corpos falam, dentro de um contexto onde o professor conceda este pequeno ser como coautor e parceiro de seu processo de aprendizagem.
 
 
 
 
Referências:
 
BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Especificidades da ação pedagógica com os bebês. Anais do I Seminário Nacional: Currículo em movimento, Belo Horizonte, nov. 2010.
 
RAMOS, Tacyana Karla G. , ROSA, Ester Calland de Souza (orgs.). Os saberes e as falas de  bebês e suas professoras. 2. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.
 
 
 
ALGUNS EXEMPLOS DE COMO PODE SER OS PORTFÓLIOS INDIVIDUAIS:
 



















 
Quer saber mais?
 
Lá você poderá encontrar novos modelos de portfólio de bebês.
 
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3 comentários:

Cláudia Eliza disse...

amei os registros no livro do bebê, parabéns!!

PROFª E INTÉRPRETE ANDREZA disse...

Lindo seu blog! como sempre vc arrasando meus parabéns!!!!!!!!!!!!!!!!! vou indicar seu blog! ;)

Professoras da Educação Infantil disse...

obrigada Claudia Eliza e Andreza.... fico feliz que estejam acompanhando nossas publicações. Bjs